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Elisângela Araújo: ‘Nosso sonho é não ter que ver mulheres e crianças com lata d’água na cabeça’

Por em 26/02/2018

‘Nosso sonho é não ter que ver mais mulheres e crianças carregando lata d’água da cabeça no nosso semiárido. Nasci nesta região da Bahia e sei que nosso problema é a falta de política pública e não a falta de potencialidade’, destaca Elisângela Araújo, diretora executiva da CUT Nacional, coordenadora do Fórum Baiano da Agricultura Familiar e da CONTRAF BRASIL.

O grave problema da escassez de água no semiárido sempre foi usado como moeda de troca na politicagem brasileira e, por isso a efetiva implementação de políticas públicas para assegurar o direito à água ficam por conta dos interesses políticos e dos empresários que lucram com a seca no Nordeste. No atual Governo Temer, as políticas públicas de convivência com o semiárido ficaram paralisadas em 2017 devido ao corte de 90% nos programas que garantiam a implementação de tecnologia de captação e armazenamento de água.

Enquanto isso, a realidade dos povos que vivem no semiárido nordestino é de sede, desespero por água e fome. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do levantamento “Conflitos no Campo Brasil 2016”, nos últimos anos cresceu o número de conflitos por água em 150% entre 2011 e 2016, saltando de 69 para 172. Em 2016 os conflitos por água atingiram 44 mil famílias e chegaram ao maior número desde 2002, quando foi registrado 443 mil famílias envolvidas em 1.153 conflitos pela água.

No Brasil ao todo são 1.189 cidades que fazem parte atualmente do semiárido e entre elas, 267 baianas. “Nos 13 anos em que o Partido dos Trabalhadores esteve na Presidência da República, transformamos a realidade de muitas localidades com os programas de convivência com o semiárido, a exemplo do Programa Cisterna que entregou 1,2 milhão de cisternas em todo país, sendo 1,1 milhão no Nordeste” lembra Elisângela Araújo.

Apesar da série de ações onde existe a seca, que começaram a impulsionar as formas de produção adequadas às características climáticas e socioculturais, ainda há muito o que fazer para assegurar o direito à agua aos povos dessa região, principalmente, quando se fala em acesso à água potável, à terra, educação contextualizada, segurança alimentar e nutricional.

Em março, no Fórum Alternativo Mundial da Água que corre entre os dias 17 e 22, as lideranças sindicais, representatividades dos movimentos sociais, entidades e organizações em defesa da água como direito elementar à vida vão se reunir para unificar a luta contra a tentativa das grandes corporações em transformar a água em uma mercadoria, privatizando as reservas e fontes naturais de água, que tentam transformar este direito em um recurso inalcançável  para  muitas populações, que, com isso, sofrem exclusão social, pobreza e se vêm envolvidas em conflitos e guerras de todo o tipo.

Como agricultora familiar, liderança sindical e mulher do semiárido, Elisângela Araújo acredita que por meio da unidade e o diálogo com os diferentes povos do campo e cidade, é que se constroem soluções e medidas eficazes que podem um dia realizar seu sonho de acabar com a cena cotidiana da seca, onde famílias são obrigadas a carregar a lata d’água na cabeça para se ter água em suas moradias.

Outro importante evento que irá contribuir com o avanço político e social para o país é o FMS 2018. Com o tema central “Povos, Territórios e Movimentos em Resistência”, e o slogan “Resistir é criar, resistir é transformar”, o Fórum Social Mundial (FSM) deve ser um evento de resistência contra os retrocessos e os ataques à democracia no Brasil.

O evento terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade. Segundo os organizadores, são esperadas cerca de 60 mil pessoas, de 120 países, reunidas para debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes e genocídios que diversos países enfrentam na atualidade.

“Se não nos mantermos firmes e combatentes contra essa atual conjuntura política, nosso Brasil será uma terra de pobreza, fome, sem direitos humanos e vendido aos estrangeiros. Enquanto liderança sindical, avalio que esses eventos são fundamentais para reunirmos forças e estratégias no rumo do desenvolvimento social que queremos para o país”, destaca Elisângela.

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Elisângela Araújo
Bahia, BR

Agricultora familiar e diretora executiva da CUT Nacional e coord. da CONTRAF BRASIL e do Fórum Baiano da Agricultura Familiar participa de atividades em defesa da classe trabalhadora e por políticas públicas que tragam a vida digna para o campo.

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