Notícias

O povo do semiárido sente ‘na pele’ que a água é fonte da vida

Por em 22/03/2018

“Nós agricultoras e agricultores familiares e povos do campo, principalmente do Nordeste, onde se vive a grande seca, sabemos ‘na pele’, o quão é importante a água como fonte de vida”, assim destaca Elisângela Araújo, diretora executiva da CUT Nacional, referente ao Dia Mundial da Água, comemorada no dia 21 de março, nesta quinta-feira.

Em meio a uma conjuntura política de retrocessos como a retirada de direitos, aumento da violência, aumento de desemprego e a volta da pobreza ao Brasil, a água e a terra, entram para o pacote de desmontes da estrutura social e medidas que atacam a soberania nacional.

“Se a água ficar sob controle das grandes multinacionais teremos mais fome. A água tornara-se de mais difícil acesso, sem chegar aos povos do campo, das águas e das florestas, que atualmente são os responsáveis pela produção de 70% dos alimentos da mesa dos brasileiros, e tiraram o Brasil do mapa da fome e da miséria”.

Para o Nordeste, que possui metade da agricultura familiar brasileira, e convive com a escassez de água, principalmente no semiárido por conta das estiagens prolongadas e pela ausência de determinação política para mudar essa realidade, a situação ficará mais grave ainda. “Sem privatizar já encontramos dificuldade, exemplo esse que passamos com a maior seca dos últimos 40 anos, imagina com esse bem sob controle das grandes multinacionais, onde seu princípio quem reina é lucro”, avalia.

Segundo a ONU, em 2050, entre 4,8 a 5,7 bilhões de pessoas no mundo sofrerão de falta de água. Hoje, esse número é de 3,6 bilhões, quase metade da população mundial. Os estudos apontam que parte desse problema é justamente decorrente da degradação do ecossistema, derivado da expansão do agronegócio e suas multinacionais nas terras brasileiras.

O modelo de agricultura com base na monocultura, que utiliza grande quantidade de insumos químicos e seu uso indiscriminado produz sérios danos às florestas, aos solos, ao ar e às águas.

“É por isso que defendemos um modelo de produção de alimento sustentável para o país. A agricultura familiar, trabalhadores rurais, assentados da reforma agrária e povos tradicionais, quilombolas e pescadores sãos os que seguem a produção de alimentos preservando e cuidando do solo e das nascentes, plantando alimentos mais saudáveis e contribuindo com a segurança alimentar”.

Nesta pauta da água, constata-se também que 1 bilhão de pessoas não tem acesso à água para consumo e dois bilhões vivem sem saneamento básico.

Sobre o Dia Mundial da Água e qual a reflexão diante da conjuntura, para Elisângela trata-se de compreender que a água é um direito e não mercadoria, justamente por essa atual concepção de Governo não romper com os interesses do mercado e manter esse quadro de crises que o país vive, sem água, sem terra e com fome.

TAGS
PUBLICAÇÕES RELACIONADAS

COMENTE

Elisângela Araújo
Bahia, BR

Agricultora familiar e diretora executiva da CUT Nacional e coord. da CONTRAF BRASIL e do Fórum Baiano da Agricultura Familiar participa de atividades em defesa da classe trabalhadora e por políticas públicas que tragam a vida digna para o campo.

Facebook
Facebook By Weblizar Powered By Weblizar