Sem categoria

Agricultura Familiar é quem coloca comida de verdade na mesa dos brasileiros

Por em 23/07/2018

Não basta apenas reconhecer institucionalmente a data 25 de julho como o Dia Internacional do Agricultor e Agricultora Familiar, é preciso priorizá-la como o principal modelo de produção de alimentos para o nosso país, pois somos nós quem colocamos alimentos de verdade na mesa dos brasileiros.

Avançamos muito nos últimos 12 anos, porém ainda há muito o que se fazer pela Agricultura Familiar. Apesar de representarmos, em todo o Brasil, cinco milhões de famílias, 84% de todas as propriedades rurais e gerar um faturamento anual de R$ 55,2 bilhões, os Governos ainda fazem muito pouco pelo setor. Basta olharmos para as prioridades do orçamento público, que destinam R$ 194,37 bilhões para o Plano Safra agropecuário, enquanto disponibiliza apenas R$ 31 bi para a Agricultura Familiar. Há uma discrepância de investimentos enorme entre os dois setores.

Acredito que para alcançarmos os objetivos de desenvolvimento sustentável, propostos inclusive pela ONU, é necessário, urgentemente, uma inversão de valores governamentais.

Sabemos que a Agricultura Familiar é responsável por 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros, produz alimentos limpos com sustentabilidade e garante a segurança alimentar e nutricional do nosso país, além de contribuir para o combate e erradicação da fome. Já o agronegócio, adota um sistema com uso abusivo de agrotóxicos, devasta nossas florestas, contamina nossos solos e águas, gera menos emprego e mais desigualdade social. E, com todo esse conhecimento o Governo Federal ainda adota como principal modelo de produção o agronegócio.

Portanto, trago essa reflexão para o Dia Internacional do Agricultor e Agricultora Familiar, de que não basta apenas reconhecer a data, mas de mudar essa forma de governo. Precisamos garantir os reais investimentos públicos que atendam a demanda da Agricultura Familiar, a fim de avançarmos cada vez mais e transformar o Brasil em um celeiro de produção de alimentos saudáveis, pois o lugar que ocupamos hoje é de maior consumidor de agrotóxicos no mundo.

Como agricultora familiar, no meu Estado da Bahia, por exemplo, iremos trabalhar para aumentar a predominância da agricultura familiar na composição do setor agropecuário, que atualmente dos 27 territórios 10 possuem agricultura familiar bem fortalecida. Isso devido aos impactos da seca que atingiram a Bahia, particularmente a partir de 2011. Não dá mais para sermos vulneráveis aos fatores da seca quando possuímos tecnologias de convivência que solucionam a maioria dos problemas. O que falta é interesse político.

Vale ressaltar, que existem grandes desafios pela frente se considerarmos a enxurrada de leis aprovadas neste ano no Congresso Nacional. Com a aprovação de medidas que provocam o desmonte dos programas que fortaleceram a Agricultura Familiar no decorrer dos últimos 12 anos, o cenário é da volta da miséria e da fome, a pobreza e o êxodo rural, mais venenos nos alimentos e o aumento da violência no campo.

Então, resta dizer nesta data que a luta é árdua, mas não devemos esmorecer. A resistência, o voto consciente são peças fundamentais para a transformação desta conjuntura política. O Viva a Agricultura Familiar deve ser mais forte ainda este ano, para que essa voz ecoe em um tom de que é o que queremos para o nosso Brasil, alimentos limpos e vida digna no campo.

TAGS
PUBLICAÇÕES RELACIONADAS

COMENTE

Elisângela Araújo
Bahia, BR

Agricultora familiar e diretora executiva da CUT Nacional e coord. da CONTRAF BRASIL e do Fórum Baiano da Agricultura Familiar participa de atividades em defesa da classe trabalhadora e por políticas públicas que tragam a vida digna para o campo.

Facebook
Facebook By Weblizar Powered By Weblizar